Engenheiros, os irmãos Antenor e Augusto Aires planejaram uma atividade para o período pós aposentadoria e investiram na área da Fazenda Gonguê, onde o pais e tios possuíam juntos, cerca de 15 alqueires destinados a lazer, onde produziam algum café. " Pensamos numa atividade que para nós é prazerosa, mas que também pudesse ser viável economicamente e decidimos pelo café", conta Antenor. A princípio, eles adquiriram parte, no topo da serra, onde plantaram 20 mil pés de café, e aos poucos , no decorrer de quinze anos foram comprando mais terra até os 70 alqueires de hoje. "Durante 15 anos, pegamos apenas três altas do produto. Em tempo de preço ruim, pudemos guardar o café, porque tínhamos nossas atividades independentes da fazenda". Hoje são 70 mil pés, a maioria lavoura nova, e o projeto é chegar aos 120 mil pés. A produção está em torno de mil sacas por ano em média, considerando a bianualidade da lavoura.
O café produzido na Fazenda Gongue é também um café de qualidade; " das 1300 sacas colhidas esse ano, não houve uma saca de bebida que não fosse dura, ou dura para melhor. Não é café especial, mas é um bom café, de baixa catação."
Os irmãos contaram com a assistência técnica da Coopervass, da Emater e ainda com muita dica de amigos produtores, " com muita experiência" para iniciarem a nova atividade e apostarem na agropecuária com muitos projetos para o futuro.
Seringueira
A adesão à seringueira se deu à experiência de sucesso de parentes no Estado de São Paulo, que também investiram na região (Monsenhor Paulo). "Eles ficaram tão animados com o desempenho da produção aqui, que acreditam será muito melhor do que a região paulista. Quando a Cooperativa começou o projeto de implantação da cultura aqui, nós abraçamos a idéia, e ficamos motivados: Começamos com 2500 pés, hoje já são 5 mil e queremos chegar aos 25 mil pés." Estão sendo plantadas seringueiras nas lavouras de brota, onde será abandonado o café. Por causa da topografia, a lavoura de café não é mecanizável, e depende exclusivamente de mão-de-obra para manejo e colheita. " São dez pessoas durante todo o ano, e chega a 50 na colheita". Em locais mais íngremes, onde o custo se tornou inviável, as lavouras serão substituídas pelas seringueiras.
Para o produtor o projeto superou suas expectativas. Augusto (Guto) já se aposentou e está à frente da atividade, onde conta com o auxílio do primo Conrado Aires na administração. A valorização da terra por si só já compensou o negócio. "Chegamos a pagar R$6mil o alqueire, e hoje chega a R$40 mil". Eles também possuem gado de corte, cerca de 140 cabeças/ano, onde "não se tem grandes lucros, mas é sempre rentável". Os irmãos planejam destinar parte da área ao cultivo de uvas, e aproveitaram o bom preço do café para investir no beneficiamento do café na própria fazenda. "Temos uma instalação em outra propriedade próxima à cidade, e toda a produção aqui era levada para seca e benefício lá. Com a nova estrutura aqui estamos eliminando um grande transtorno com logística e tempo".
Seringueira em consórcio com café: projeto para mais de 20 mil pés.
(foto) Antenor e o administrador Conrado

